
Escrever estas linhas me parecem uma atitude estranha, visto que eu estou dentro do outro lado, o da comunicação. No entanto, ainda que eu saiba o quão prejudicial e anti ético é a fake news no cenário dentro do jornalismo, eu ainda consumo notícias e outras informações dentro da minha vida pessoal e venho a cada percebendo que a internet virou um grande tribunal de juízes alheios as consequências humanas.
Quando uma página de fofoca se calou e se omitiu ao apelo desesperado de uma mãe com uma filha em depressão, após publicar mentiras sobre essa mesma jovem e não permitir a sua versão, atrelada a comentários irônicos em um texto em que ela, Jéssica Vitória Canedo, explicava que nada daquilo era real e depois cometeu suicídio, talvez a sociedade tenha mesmo que por instantes que fake news mata.
O tribunal da internet e falsos comunicadores não se importam com a saúde mental de ninguém, e não é setembro mesmo, “então para que chegar as informações?” “Não tem problema esse comentário maldoso que eu estou fazendo, é só mais um”, “Daqui a pouco tem outra notícia, depois o pessoal esquece dessa”, “a minha página de fofoca medíocre e assassina precisa de engajamento”, “Ela morreu, vamos nos omitir, nunca escrevemos nada, nunca comentamos nada”.
Jéssica Vitória é apenas uma de tantas outras vítimas de fake news, tantas outras que imploraram para serem ouvidas e hoje sua mãe chora a perda de uma filha que nunca mais vai abrir a porta de casa, enquanto páginas esperam a próxima fofoca mentirosa para o tribunal da internet consumir como bem quiser.
Quantas pessoas ainda precisam morrer?
Atenciosamente,
Jornalista e escritora do Conto “Uma visita para Tuti.”




















